complicada e perfeitinha

Regina Spektor continua arrasadora no sexto álbum de sua carreira

Em "What We Saw From de The Cheap Seats", a cantora russa presta homenagens a "Ne Me Quitte Pas" e "Don't Let Me Be Misunderstood"

por Anna Carolina Lementy - 1 de junho de 2012
Regina Spektor chega ao sexto álbum
Lançado na última terça-feira (29), o novo álbum de Regina Spektor, "What We Saw From The Cheap Seats", ou "O Que Vimos dos Lugares Baratos", não chega a ser surpreendente. As peripécias vocais, sua maior marca, continuam lá, assim como o piano, a vontade de experimentar e um punhado de musiquinhas delicadas, exceto talvez pelo que parece ser um... er... gemido bizarro em "Open".

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E quem disse que é preciso sempre inovar? Em meio a tantas estrelas iguais, é um alívio a existência de trabalhos com consistência e personalidade como o dela. Se é que podemos inferir isso, essas duas características parecem ter sido herdadas das cantoras homenageadas no novo disco, Edith Piaf e Nina Simone. "Ne Me Quitte Pas" e "Don't Let Me Be Misunderstood" ganham boas versões na voz de Regina. Não chegam a ser covers, são mais como uma lembrança impressa nas letras de "Don't Leave Me" e "Oh Marcello", respectivamente.

A capa do álbum. Parece uma ilustração, não?"Oh Marcello" é a mais interessante das duas, com uma introdução que lembra a trilha de um filme antigo ou qualquer outra coisa empoeirada, tipo os acordes de uma caixinha de música velha, misturada ao frescor dos vocais imprevisíveis de Regina. "Don't Leave Me" tem levada mais pop e não muda a vida de ninguém. Vá direto: "Oh Marcello", "Small Town Moon" e "All The Rowboats" são as melhores faixas do disco.

"Não sou nem um pouco confessional"
Por mais que Regina pareça estar falando dela mesma em muitas de suas canções, principalmente as que dão pistas sobre um coração partido, na realidade elas têm pouco a ver com o que ela viveu. Em entrevista à revista britânica "NME", ela disse que se parece mais com "escritores de ficção, de ficção científica". E arrematou: "não sou nem um pouco confessional". Outra curiosidade é que boa parte das músicas de seu novo álbum foram compostas há quase uma década. "Eu escrevo canções o tempo todo, assim como vou vivendo, e elas se acumulam". Que ela continue assim.

Ouça a viciante "All The Rowboats"


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