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Protagonizada por Alinne Moraes, “Doroteia” expõe com êxito o tom farsesco da obra de Nelson Rodrigues

Para uma mulher com os melhores atributos da beleza, qual seria o pior castigo? Ser feia? Só? No universo de Nelson Rodrigues esta que parece uma questão rasa, superficial, ganha contornos críticos sociais com tom irônico de sempre.
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Depois de viver anos como prostituta, Doroteia perde um filho e sai em busca de sua redenção: quer perder todos os traços perfeitos do rosto, dos cabelos, se tornar feia. Alinne Moraes, em sua segunda experiência no teatro, aparece como o modelo perfeito para este papel que renega a felicidade, a beleza e o prazer.
Na peça homônima à protagonista, Nelson Rodrigues cria uma farsa absurda para provocar o debate sobre o papel da mulher na sociedade. Submissa e sufocada pelo machismo dos anos 1940, quando foi escrita.
Para abdicar de todos estes adjetivos, Doroteia vai pedir abrigo a três primas horrendas, interpretadas por três homens (Gilberto Gawronski, Alexandre Pinheiro e Paulo Verlings). Com as viúvas ainda mora Das Dores (Keli Freitas) que morreu aos cinco meses de vida, mas ainda não se deu conta.

Essas mulheres moram em uma casa sem quartos ou portas, vivem de preto e compartilham de uma sina. Toda vez que se encontraram com seus noivos (representado aqui por um par de sapatos) sentiram “a náusea” e nada se consumou.
Além de colocar em cena homens para dar vida a estes “zumbis”, o diretor João Fonseca acrescenta uma trilha contemporânea à obra original para aumentar a farsa. “Run the World (Girls), o hino feminista de Beyoncé, contrapõe a fragilidade das personagens em cena.
“Doroteia” contém os temas prediletos de Nelson Rodrigues: o amor, a culpa pelo sexo e como a morte impera como alivio sobre os sofrimentos. A montagem de Fonseca consegue inserir tudo isso ressaltando a excentricidade do texto.
Serviço:
“DOROTEIA”
Teatro Raul Cortez
Rua Dr. Plínio Barreto, 285
Tel.: (11) 3254-1631 Sexta, 21h30; sábado, 21h e domingo, 19h
De R$ 60 a R$ 70
Até 14/10
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