nostalgia boa

"Que Rei Sou Eu?", novela clássica dos anos 80, volta a ser exibida no canal Viva

por Thais Kuzman - 7 de maio de 2012

Nascida em uma época nem tão distante, quando as novelas se travestiam sem pudores de fantasia para criticar com eficácia a realidade, “Que Rei Sou Eu?” volta ao ar nesta segunda-feira (7), meia-noite, pelo canal pago Viva. Além de matar a saudade da afiada dramaturgia de Cassiano Gabus Mendes, a reprise da trama é uma forma cheia de humor de comparar o país no final da década de 80 e dos dias atuais.

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O mendigo vira reiExibido em 1989, o folhetim se inspirou no momento político que o Brasil vivia – a euforia por conta das primeiras eleições diretas e os incontáveis casos de corrupção nos altos escalões do poder – para criar uma história de capa e espada com elementos de “Os Miseráveis”, “Os Três Mosqueteiros” e “O Conde de Monte Cristo”.

Com a morte do Rei Petrus (Gianfrancesco Guarnieri), que não deixa herdeiros legítimos, a rainha Valentine (Tereza Rachel) e o bruxo Ravengar (Antônio Abujamra) decidem colocar o mendigo Pichot (Tato Gabus) no trono de Avilan para manter o poder. A farsa desperta a ira dos plebeus, que comandados pelo filho bastardo do antigo monarca, Jean Pierre (Edson Celulari), querem acabar com as falcatruas e as desigualdades sociais do reino.

O mocinho Jean Pierre

Personagens inesquecíveis
Apesar de se passar em pleno século XVIII, “Que Rei Sou Eu” primava pela modernidade e identificação com os jovens: o clima de subversão era anunciado na abertura da novela, em que o “Rap do Rei” (assista abaixo) embalava disputas pelo poder desde a idade da pedra.

O temido e inesquecível RavengarAlém disso, Cassiano Gabus Mendes criou personagens que continuariam no imaginário do público décadas depois de seu nascimento, como o supervilão Ravengar, os atrapalhados e corruptos conselheiros reais Vanolli (Jorge Dória), Crespi (Carlos Augusto Strazzer), Gaston (Oswaldo Loureiro) e Bidet (John Herbert) e o revolucionário disfarçado de bobo da corte Corcoran (Stênio Garcia).

Com o sucesso da novela, ela foi transformada em álbum de figurinhas – expediente utilizado pela Globo na época – e reprisada de forma compacta apenas um mês depois da exibição de seu último capítulo. Por nostalgia ou por mera curiosidade, vale a pena ver de novo.


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