Gafieria, bolero e bom humor

"Tínhamos a ideia de fazer um baile que não fosse saudosista", diz Kassin sobre os 10 anos da Orquestra Imperial

A banda carioca completa uma década e promete um disco de inéditas ainda para este ano

por Camila Martins - 1 de março de 2012
Thalma de Freitas, Duani e Nina Becker em um dos tradicionais bailes de Carnaval da Orquestra
Se a ideia de ir assistir ao show de uma grande banda que toca de bolero a gafieira em um salão de festa da cidade pode soar um tanto antiquada, é porque você ainda não se deixou levar pela Orquestra Imperial. Em 2012, no entanto, vai ser difícil passar imune por eles.  

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No ano em que a "big band" carioca completa 10 anos, está previsto um novo disco e um DVD que registra a alegria, o talento e a criatividade da trupe composta por nomes como Thalma de Freitas, Nina Becker, Moreno Veloso, Duani Martins, Wilson das Neves, Berna Ceppas, Kassin, Domenico Lancellotti, Rubinho Jacobina, Nelson Jacobina, e outros músicos que foram responsáveis pela renovação musical da cidade.

Isso porque, em 2002, Kassin, um dos mais respeitados produtores musicais do país, resolveu juntar alguns amigos para reviver a época dos grandes bailes e recriar sucessos dos anos 60 com novos arranjos. A repercussão atraiu músicos amigos que acabaram fazendo parte da banda, como Rodrigo Amarante e Seu Jorge, ou mesmo algumas participações especiais, como Elza Soares, Caetano Veloso e Jorge Mautner.  Para dar início às comemorações, o Colherada conversou com Kassin sobre a história da banda e ainda pediu algumas dicas de nomes da nova cena carioca. 

Colherada Cultural: Em 2012 a Orquestra Imperial completa 10 anos. Quando o projeto foi criado, vocês imaginavam a repercussão e a trajetória que teriam?
Kassin: Não imaginávamos, pois o projeto era pra durar um mês. Quatro shows na Ballroom, uma casa noturna carioca. As três primeiras apresentações foram muito vazias e só a última teve um público maior, o que nos motivou a fazer uma nova temporada. Foi ai que começou a dar certo.
 
C.C.: Quem deu o ponta pé inicial para o projeto e como foi reunir nomes tão importantes da cena musical carioca?
Kassin: Foi muito por acaso. O Berna Ceppas e eu tínhamos uma noite de improvisação eletrônica que começou a atrair a atenção do público e fomos convidados para fazer esses shows. Até esse momento a orquestra não existia, mas eu compartilhava a ideia de montar uma com o Domenico Lancelloti e achamos que essa era uma boa oportunidade. Fomos chamando amigos e dai veio a banda. As coisas foram tão por acaso que a  Nina Becker, por exemplo, estava na plateia do primeiro show e acabou na banda. O Rubinho Jacobina pediu pra entrar e outras pessoas foram aparecendo por interesse no repertório e na ideia.
 
C.C.: A Orquestra Imperial remete as bandas antigas, dos grandes bailes nos salões da sociedade, e ao mesmo tempo conta com um repertório cheio de bom humor. Como chegaram nesta "fórmula"?
Kassin: O bom humor acho que vem de nós mesmos. Tínhamos a ideia de fazer um baile que fosse do nosso jeito, não saudosista.
 
C.C.: Quando se assiste a um show da Orquestra Imperial a impressão é de uma grande brincadeira entre amigos, um momento de diversão. Como fazer um projeto paralelo de tantos músicos, que pode ser até considerado “descompromissado”, durar tanto tempo?

Kassin: Justamente por ser uma brincadeira e ser paralelo, não tocamos o ano inteiro. Então quando nos reunimos é com muita saudade de tocar juntos e se divertir.
 
C.C.: Em São Paulo, há uns três, quatro anos, a cena da música independente alavancou e deu origem a um processo de renovação musical na cidade. E no Rio de Janeiro, como vocês avaliam esta cena, ainda mais com a chegada do Studio RJ na cidade?
Kassin: Aqui no Rio a cena está mudando e bons discos chegaram ano passado, como o Cícero, Dorgas e Chinese Cookie Poets. A Audio Rebel está promovendo shows muito interessantes e o Studio RJ é uma alegria para o Rio.
 
C.C.: E o que podemos esperar para as comemorações dos 10 anos?

Kassin: Estamos preparando um novo disco de inéditas, que está saindo muito bem, e vamos gravá-lo em março. Aguardem.

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