Istambul e Capadócia: organize o guarda-roupa e o fôlego para conhecer as surpreendentes paisagens da Turquia

Uma das belas vistas de Istambul

Quando surgiu o convite de ir para a Turquia, a trabalho, minhas duas primeiras reações foram: “que legal” e “o que será que tem lá?”. Eu sabia uma meia dúzia de coisas sobre o país, vindas dos lugares mais diferentes: uma batida de olho no mapa, o livro “A chave de casa” (da Tatiana Salem Levy), uma amiga que iria passar férias lá e uma história contada por minha irmã sobre os cavalos de Constantinopla estarem na Piazza San Marco, em Veneza. Chegando lá, praticamente tudo foi surpreendente. O roteiro incluía a capital, Istambul, e uma passagem rápida pela região da Capadócia.

A lista de preocupações pré-viagem tinha alimentação, clima e vestimentas. A questão da comida mostrou-se, logo de cara, uma agradável surpresa, de modo que merece um post só para ela – fique de olho para não perder ele aqui no blog! Quanto ao tempo, era verão durante a minha estadia. Isso significou encontrar em Istambul um calor comparável ao do Rio de Janeiro em seus meses de verão; algo que se repetiu na Capadócia (uma dica bacana é andar sempre com uma garrafinha de água para aliviar o calor), de ares um pouco mais secos. Mesmo assim, o guarda-roupa escolhido para encarar essas altas temperaturas nada tinha em comum com os modelitos usados tradicionalmente pelas cariocas.

Além das atrações históricas, o país reserva belas paisagens urbanas

DE OLHO NAS BURCAS

Os guias turísticos locais explicam que a Turquia é um país onde cerca de 75% da população é muçulmana – praticante ou não, radical ou não. Por conta disso, a mala feminina precisa conter mesmo peças mais recatadas: saias na altura do joelho e bermudas (nada de shorts), blusas sem manga e alguns lenços para cobrir a cabeça ou o rosto em qualquer necessidade. Em Istambul, no entanto, não foi preciso tanta preocupação. Há, sim, muitas mulheres de lenços e burcas, mas as vestes ocidentais são bem aceitas, à exceção das mesquitas. Para visitá-las, é preciso cobrir as pernas e os ombros (e isso vale para os homens também). Na Capadócia, região mais central do país, o pessoal local é mais conservador, mas também se respeita bem os turistas.

Resolvido isso, hora de pensar na grana. A nova lira turca, moeda local, é razoavelmente barata para os brasileiros: 1 lira equivale a, aproximadamente, R$ 1,15. Também é possível levar o euro, que vale mais ou menos 2,35 liras, e é aceito em praticamente todos os lugares. Ele pode ser um bom trunfo na hora de negociar preços e pechinchar (com a devida atenção ao câmbio feito na hora pelos comerciantes turcos!).

A Mesquita Azul é um dos locais mais visitados em Istambul, mas fique atento para o figurino adequado

PRIMEIRA PARADA: UMA IGREJA DIANTE DE UMA MESQUITA

A primeira parada em Istambul é, claro, diante da Mesquita Azul e da Igreja de Santa Sofia (Aya Sofya), instaladas, praticamente, uma de frente para a outra na Cidade Velha. Construída no século XV pelo sultão Ahmet I – e, por isso, chamada de Sultanahmet Camii -, a mesquita é um dos pontos mais visitados da cidade e, mesmo assim, ainda é usada para orações. Lembrando: esse é o dia da viagem para tirar aquela saia longa da mala e arrematar o figurino com um lenço para poder entrar na mesquita. Caso você esqueça, na entrada é posível pegar vestes para cobrir as pernas e ombros. E é preciso também tirar os sapatos.

O Obelisco de Teodósio

Santa Sofia, por sua vez, foi construída três vezes no mesmo local, sendo a primeira delas no ano de 360 d.C. Ali, hoje, não há mais cultos católicos e o espaço se tornou um museu. Nos dois locais há muita fila, muita gente e vendedores ambulantes te abordando de tempos em tempos. Respire fundo, porque as duas construções valem o preço da paciência. Será difícil, independentemente da crença do viajantes, não se impressionar com esses dois monumentos religiosos. O excesso de pessoas atrapalha um pouco essa percepção, além do fato da Mesquita Azul não permitir visitantes durante o horário de orações – o que impede, digamos, uma experiência mais completa ali. Mas é inegável que, quando se olha para as duas construções gigantes, perde-se o fôlego como suas proporções enormes e, ao mesmo tempo, a riqueza de detalhe em cada pintura, candelabro, inscrição dourada ou azulejos azuis, no caso da mesquita.

Para quem, como eu, tem uma fissura especial quando o assunto são elementos históricos, que vêm de épocas que a gente só ouviu falar nos livros, a caminhada pode continuar pelo entorno da igreja e da mesquita. Ali estão a Cisterna da Basílica – uma construção subterrânea que servia, nos idos do Império Bizantino, para armazenar água – e a praça do Hipódromo, que data da mesma época. Na praça estão monumentos como o Obelisco de Teodósio e o Tripé de Plateias, trazidos, respectivamente, do Egito e da Grécia por volta dos anos 350 d.C. Era ali também onde ficavam os cavalos esculpidos em bronze, roubados na época das cruzadas, e que hoje estão na Basílica de São Marcos, em Veneza.

SER BRASILEIRO É UMA VANTAGEM

Uma dica para esse passeio pela Cidade Velha é comprar um guia de bolso, que normalmente já vem com um mapinha dali. É tudo bem pertinho e a movimentação ajuda os turistas solos a se localizar. A língua turca é, para nós brasileiros, praticamente incompreensível, então não se acanhe em arriscar um inglês e apontar, gesticular e pedir ajuda se precisar. Só fique atento a quem recorrer nesses casos: como toda cidade turística, há vários vendedores ambulantes por ali e eles são bem grudentos. Seja firme no “no, thank you” e prefira os postos de informações turísticas ou os restaurantes e bares. Os brasileiros são bem queridos por lá, então vale abusar da simpatia e mandar um “I’m brazilian” ao abordar os turcos.

A Capadócia apresenta atrações mais rústicas

OS ENCANTOS DA CAPADÓCIA

Uma dica de passeio pela Capadócia é uma volta pelas cavernas. A região foi muito importante no início do cristianismo, e ali estão algumas das primeiras igrejas da religião, incluindo a de São Jorge. Ela fica dentro do museu a céu aberto chamado Göreme. Não espere dessas construções a suntuosidade dos monumentos religiosos de Istambul. Estas são mais rudimentares e feitas em pedras – literalmente buracos cavados e, posteriormente, decorados com alguma pintura de Jesus, São Jorge ou da Santíssima Trindade.

O passeio de balão é a pedida para quem deseja uma experiência inesquecível

Além das igrejas e monastérios dessa época, há também as cidades subterrâneas – essas, sim, de impressionar mais. No início da era cristã – nos primeiros séculos depois de Cristo –, os seguidores da então “nova religião” eram perseguidos. Havia, em toda a região, casas, galerias e passagens subterrâneas que têm sua origem desconhecida, mas que eram usadas pelos cristãos para se protegerem dos inimigos. Alguns trechos desses espaços ficam a 20 metros abaixo da terra e a sensação de estar ali e imaginar que eles passavam semanas e até uns poucos meses sob o solo é sufocante. Meu guia neste passeio sentenciou: “faz-se tudo pela vida”.

Também deve ser dito sobre a Capadócia que este pedaço da Turquia merece um espaço separado no meio dessas dicas por sua atração mais famosa: o passeio de balão. Sim, é lindo e incrível, e vale a pena guardar uma parte do seu orçamento para pegar o voo de mais ou menos 1 hora até Nevsehir ou Kayseri e mais os 150/200 euros para acordar de madrugada e, enquanto o sol nasce, ficar cerca de 1 hora sobrevoando as cidadezinhas e montanhas dali. Pela “bagatela” de 1.200 euros, você pode optar por um voo privativo, para duas pessoas, com direito a espumante. Precisa dizer mais?

* Por Juliana Bellegard

“Luzes da África”, livro de Haroldo Castro, retrata os intensos nove meses de viagem do fotojornalista pelo continente

No vale do Omo, um barbeiro itinerante etíope corta a barba de Haroldo Castro com uma máquina rudimentar

Os nove meses que o fotojornalista Haroldo Castro passou na África entre 2009 e 2010 viraram livro. Como ele mesmo gosta de lembrar, “não é reportagem, nem diário de bordo”. “Luzes da África“, recém-lançado (e com prefácio de Gilberto Gil), é o relato de um viajante.

+ A moda poética e sustentável de Teko Semente, artesão da cidadezinha de Trindade

Foram seis meses de retiro em Campinas até que o livro fosse concluído. No fim, 400 páginas viraram 570 e, em cada uma delas, há uma versão diferente do continente africano. “Eu não queria reforçar aqueles clichês da miséria, guerra, Aids… Queria dar boas notícias. E, ao mesmo tempo, descrever a aventura que é viajar 40 mil quilômetros, da África do Sul ao Sudão”.

Capa do livro "Luzes da África"

Outra faceta do livro se revela num compilado de diálogos divertidos e tocantes entre pai e filho, ambos fotógrafos. Haroldo tinha 58 anos na época da expedição. Seu filho, Mikael, 27. Ao longo da viagem, toda feita de carro, o que os dois mais fizeram foi conversar. Na última parada, a relação deles já havia se transformado. “Ele começou o percurso me chamando de Haroldo e terminou me chamando de pai”, conta.

O vínculo também aumentou por causa da malária (ora se não é um clichê), que deixou Haroldo à beira do coma durante quatro dias. Mikael também ficou aflito quando percebeu que o pai estava interessado em uma mulher. “Ele tinha medo que eu abandonasse tudo, mas, na verdade, eu não me apaixonei. A namorada dele, por outro lado, ligava nas piores horas”, diz, rindo. Em entrevista ao Colherada, ele também falou sobre o continente, fotografia e turismo. Confira:

Colherada Cultural: qual é a sua dica para um turista comum que deseja fazer boas fotos?
Haroldo Castro: é uma dica mais filosófica do que prática. Quem quer fotografar tem de se tornar invisível. Isso significa que você não vai deturpar o que está rolando. Isso não quer dizer que você não possa tirar grandes fotos das pessoas interagindo com você, mas o meu sonho é ter a capa do Harry Potter, sumir e poder perambular sem influir no elemento humano. Quando se fotografa a natureza é diferente. Fotografei uma cena incrível, eram duas leoas pegando um antílope. Esse tipo de coisa acontece em 15 segudos, aí você tem que ser muito rápido.

Duas leoas abatem uma gazela, no Parque Nacional Ruaha, Tanzânia

C.C.: De todas as paisagens que você viu, qual foi a mais impressionante?
H.C.:  Depende do meu humor no dia. Não existe a que “mais me impressionou”. Existem muitas coisas maravilhosas. Mas a que foi mais diferente foi o deserto de areia vermelha na Namíbia. Antes, havia um rio que morria ali e fazia um charco. Só que as dunas mudaram de posição e fizeram com que a água não chegasse mais ao lugar. Há árvores de 600 anos, mortas, que continuam lá por causa do clima. É um fundo branco formado por uma camada de sal, há os esqueletos negros das árvores, a areia vermelha das dunas e o céu azul. Essa cena me marcou muito. Não tinha visto isso em nenhum outro lugar do mundo.

C.C.:  E uma experiência gastronômica?
H.C.: Ah, Zanzibar. É a ilha das especiarias. Eles cozinham tudo com elas. Apesar de a gente conhecer cardamomo, cravo, curry, tudo isso ganha uma dimensão excepcional por lá. Outro lugar onde comi muito bem foi a Etiópia, por incrível que pareça. Lá, existe um cereal local chamado tef que eles usam para fazer panquecas. E aí você pode recheá-las com verduras ou carnes. Essa última opção eu não provei porque sou vegetariano. Foi uma decisão que tomei ha 34 anos por causa das viagens. Ao não comer carne, você reduz muito a chance de ter uma infecção intestinal em lugares inóspitos.

C.C. E como vocês faziam, era fácil encontrar verduras, cereais…?
H.C.: Tínhamos uma caminhonete com uma geladeira de 40 litros onde guardávamos água, sucos, queijo, iogurte… E uma dispensa bem grande com granola, pastas, frutas secas, cuscuz, sopas, arroz integral. Eu só emagreci por causa da malária.

C.C.: Qual roteiro é imperdível na África?
H.C.: Quem gosta de tradições e quer conhecer um país totalmente diferente, deve ir à Etiópia. Para quem curte vida selvagem existem muitos, como a África do Sul, Botsuana, Quênia, Tanzânia… Mas minhas melhores fotos foram feitas na Tanzânia. O país tem um equilíbrio entre seus tipos de parque, o que é bem bacana, sem contar o Monte Kilimanjaro.

Pescador secando sardinhas, Tômbua, Angola

Experiência de viajante no Peru: cinco lições preciosas para não frustrar as suas férias

Festa folclórica na cidade de Puno

Passei minhas últimas férias no Peru, de 1º a 20 de fevereiro deste ano. Comprei a passagem numa oferta pela internet, baixei um guia de viagem no iPod, arrumei a mala e fui com um amigo. Os dois de mochilona e bem animados, meu amigo ainda mais que eu, pois seria a segunda viagem dele ao exterior depois da típica Buenos Aires.

A seguir, vieram 20 dias cheios de problemas: ficamos doentes, precisamos mudar a rota sei lá quantas vezes e fomos deixados na mão pela tecnologia. Não é a primeira vez que viajo assim. Nem a segunda, nem a terceira. Já deve ser, sei lá, a vigésima e alguma coisa. O que não evitou que eu deixasse de tomar algumas precauções pequenas que teriam evitado pelo menos 90% dos percalços.

A arquitetura colonial é o destaque de Cusco, no Peru

Veja alguns dos episódios que me ocorreram e a lição que eu tirei deles. Qualquer um pode passar por situações semelhantes, tanto mochileiros quanto aqueles que viajam com um pouco mais de conforto. E, antes de começar a ler, adianto – apesar de tudo, a viagem foi linda e valeu a pena. As fotos que ilustram este post estão aí para provar.

1. Ao arrumar as malas, atenção especial aos itens mais importantes. Parece uma dica óbvia, né? Na noite anterior à partida, quando estava ajeitando a bagagem, o cortador de unha sumiu. Procurei, procurei e nada. Passei quase meia hora atrás dele. Quando achei, estava de saco cheio de pensar nas malas. Aí joguei tudo dentro, fechei o zíper e pronto. Deu no que deu: levei o cabo errado do iPod, perdi o guia de viagem, e esqueci o carregador da câmera. Já na primeira semana, estávamos sem rumo. Lá pela segunda, ficamos sem fotos. Mas o cortador de unha estava lá.

Nascente perto do Lago Chungará, a 4500 mil metros de altura, Chile

2. O clima pode determinar o sucesso da viagem. Em muitas partes do Brasil, a gente não está tão acostumado a pensar no clima antes de viajar. Ele pode até atrapalhar, mas não chega a arruinar os passeios. Só que, na maior parte dos lugares, não é assim. Fevereiro é época de chuvas na região andina – por isso a passagem em promoção. E, curiosamente, a aguaceira bateu recorde neste ano. Até Rio Branco, no Acre, ficou inundada.

Já no Peru, a estrada de ferro para Machu Pichu sofreu danos e impediu o acesso à cidade inca. O tour pelo Vale do Colca, um dos destinos principais do país, só podia ser feito de carro, e não por trekking, que é o jeito mais gostoso. O deserto de San Pedro de Atacama, no Chile, e o Salar de Uyuni, na Bolívia, que estavam nos nossos planos, também sofreram com os temporais. Em San Pedro, aliás, foi a maior chuva dos últimos dez anos. Nem a coincidência com o nome do santo adiantou para livrar habitantes locais e turistas de sofrerem as consequências. Veja a diferença entre a rota planejada e a final:

Vista da Ilha Taquile, no Lago Titicaca, Peru

a) Teoria: Lima – Cusco – Puno – Copacabana – La Paz – Salar de Uyuni – San Pedro de Atacama – Arica – Tacna – Arequipa – Lima.

b) Prática: Lima – Cusco – Puno – Arequipa – Tacna – Arica – Tacna – Nazca – Huacanchina – Paracas – Lima.

3. Um pouco de cautela evita dias perdidos. Sou contra o medo de tudo ao viajar. Não vejo graça em comer toda hora no Mc Donald’s, só passear com tour e andar sempre de táxi. Arriscar um pouco faz parte da experiência. Só não precisa descuidar totalmente e cair em erros bobos. Do tipo deixar de passar protetor solar, como (não) fizemos nos dois primeiros dias em Lima, acabar pegando insolação e ficar de cama. Ou então ir para a balada, tomar um pisco sour, que leva clara de ovo cru, e voltar para casa acompanhado de uma salmonella. Esta bactéria amaldiçoada me fez perder a chance de jantar no último dia de viagem num dos melhores restaurantes da América Latina, o Astrid y Gaston, em Lima, por falta de condições estomacais.

Revoada de pássaros nas Ilhas Ballestas, Peru

4. Viagens “budget” às vezes requerem orçamento extra. O mercado está cheio de guias de viagens “budget”, ou seja, com orçamento apertado e gastando-se apenas o mínimo possível. Normalmente, é disso que os mochileiros gostam (e precisam). Com base num livro desses, calculei R$ 50 por dia para a viagem. No entanto, a projeção não leva em conta transporte e itens que você nem pensou em pôr na mala. Por exemplo, gorro e luvas para o frio, mais que necessários nas temperaturas baixas nas noites dos Andes mesmo no verão (é verdade que vi alguns alemães de bermuda, mas eles são eles).

Vista noturna da cidade de Cusco, Peru

Outra coisa: para o valor ser suficiente, pode ter certeza de que o jeito é comer no restaurantes maaaais simples e não exagerar nem na cervejinha. E dormir em lugares que, às vezes, nem porta no banheiro tem. No começo, tudo bem, mas lá pela segunda semana dá vontade de fazer umas extravagâncias. Elas vão aumentando e, quando você vê, o gasto diário subiu para R$80 por dia. Levei um extra, mas ainda assim acabou tudo lá pelo décimo quinto de viagem e só sobrou o cartão de crédito, além de uma nota de cem dólares que ninguém queria aceitar por estar com um rasgo pequeno.

Como tenho larga experiência em cartões que desistem de funcionar no exterior, mesmo habilitando antes no Brasil, senti um frio na barriga. Não deu outra. “Seu banco está incomunicável no momento. Tente novamente” – a mensagem repetia-se nas telas dos caixas eletrônicos. Começamos a cozinhar nos albergues e evitar os passeios mais caros. Até que, quando só me sobravam umas poucas moedas na carteira, um santo caixa resolveu liberar o dinheiro. Prazer enorme em ouvir o barulho das notas saindo.

Lago Titicaca visto da Ilha Awantani, Peru

5. Libere o lado jornalista. Mesmo eu, que sou jornalista, me esqueço de aplicar as técnicas profissionais nas viagens. E isso pode fazer toda a diferença, sobretudo em locais onde o fluxo de informação na internet não é tão eficiente e as pessoas não se preocupam em ter certeza do que estão falando (algo bem comum aqui na nossa América Latina). Em resumo, vale perguntar muito, comparar e confirmar informações.

Um exemplo: a praia mais conhecida em Arica, no Chile, é a Chinchorro. Ficamos num albergue bem pertinho dela, prontos para esquecer as semanas de chuva nos Andes curtindo o dia na areia. E aí, a decepção. A praia estava destruída pela chuvarada nos altiplanos bolivianos – a enxurrada descia o rio e desembocava no mar, trazendo todo tipo de destroços. Era domingo e ficamos vagando pela cidade vazia, praguejando a má sorte. E aí, à noite, numa conversa com uma chilena de Santiago no albergue, descobrimos que bastava ir ao outro lado de Arica para encontrar praias bonitas, a salvo da destruição. Como ela ficou sabendo? Perguntando a um policial local.

Pequeno morador das ilhas flutuantes de Uros, no Lago Titicaca

TUDO VALE A PENA
Se pudesse resumir tudo numa única recomendação, diria para se preocupar na medida certa, sem paranóias. Viagens são pequenas aventuras para fugir da mesmice cotidiana. Se correr tudo muito diretinho, acho que perde a graça. Só é importante evitar que todos os problemas aconteçam ao mesmo tempo e acabem com as férias. Agora, se isso por ventura ocorrer, a dica é manter o bom humor. Porque, no futuro, ficarão as histórias divertidas para contar.

Texto e fotos de Thiago Minami, colaborador especial do Colherada Cultural e blogueiro do Yakissoba, não!, sobre gastronomia oriental