Olimpíadas de Londres: a Lonely Planet acaba de lançar a versão brasileira do guia da cidade e de outros destinos

Palácio de Westminster, em Londres

Londres, França, Cuba e Espanha são os novos destinos escolhidos pela Lonely Planet, editora especializada em guias de viagem, para ganhar versões brasileiras.

+ Os 45 lugares do mundo que você precisa conhecer em 2012 pelo “The New York Times”

O guia londrino (472 páginas, R$ 49,90) é bem completo e permite conhecer as várias facetas da cidade. O viajante mais ligado em história e arte pode escolher entre palácios medievais e museus. Quem gosta de badalação encontrará dicas de pubs e festivais de rua como o carnaval de Notting Hill – o contraste é imperdível e é justamente o que torna Londres tão especial. As tradicionais casas de chá e lojas de discos da capital inglesa também estão contempladas no guia.

Museu do Louvre, em Paris

Já o guia da França (1.016 páginas, R$ 84,90) explora as belezas da costa mediterrânea, a culinária apreciada no mundo todo e curiosidades como o café preferido de Simone de Beauvoir e Jean Paul Sartre. Os exploradores saberão como chegar a ruelas de Paris que ainda mantêm casas construídas antes da Revolução de 1789 ou a cabanas no alto das montanhas que podem ser alugadas pelos turistas. Os mais consumistas também podem comemorar, pois o guia traz dicas com as melhores épocas e lugares para comprar itens exclusivos a preços razoáveis.

Espanhóis e turistas na Batalha do Vinho, em La Rioja, Espanha

O guia da Espanha (936 páginas, R$ 79,90) também permite mergulhar nos contrastes do país e fazer roteiros com pegada mais cultural (a arte espanhola não está só dentro dos museus, está também nas ruas), aventureira ou gastronômica. A depender da época do ano, por exemplo, é possível esquiar na neve, mergulhar na Costa Brava ou participar da corrida de touros em Pamplona. E há ainda as festas populares divertidíssimas como a Batalha do Vinho, que acontece todo mês de junho em La Rioja.

Cena registrada em Havana

O guia de Cuba (544 páginas, R$ 59,90) é mais enxuto, mas, ainda assim, traz informações sobre pontos turísticos marcantes que remetem ao rum, aos charutos e à salsa, símbolos da economia e da cultura do país. Também é possível conhecer pontos em que dá para observar a vida selvagem da ilha e fazer roteiros em busca de resquícios deixados pelos piratas.

Dica Colherada: leve o guia, mas não deixe de se aventurar pelos destinos usando nada mais que a sua intuição. Dizem que a gente só conhece de verdade um lugar quando se perde nele. Boa viagem!

Cuba, meu amor: os irresistíveis daiquiris cubanos do bar Floridita

Os daiquiris de limão, abacaxi e morango

Com a proposta de fazer um curso intensivo, ainda fora da capital, sobrou pouco tempo para fazer turismo de verdade por Cuba. As horas livres, principalmente quando estava em Havana, se dividiam em conhecer as ruas da cidade, que contam com uma arquitetura impressionante, ir a lugares emblemáticos, como a Praça da Revolução e o carrinho de sorvete de Copélia (uma praça famosa em que a fila para comprar sorvete chega a durar horas, com uma ou duas opções de sabores no máximo); e provar bons drinks.

+ Viaje mais por Cuba: comer no país é uma aventura! Você não escapará do restaurante mais conhecido de Havana

Como sou fã de mojito, sempre tomava pelo menos um em todos os lugares em que era possível. A hortelã fresca e aromática é mais doces do que costumamos provar por aqui no Brasil. Nos lugares mais concorridos, eles custam em média 3 CUCs (cerca de R$8), e nos mais distantes do burburinho podiam ser encontrados até por 1,50 CUCs (ou seja, R$4).

Os mojitos, no entanto, perderam o seu posto quando fui provar o daiquiri no seu templo, o Floridita. O drink é feito a base de rum, limão e gelo, servido em taça de martíni quase com a consistência de uma raspadinha. Desde 1817, essa taça arrasta nomes históricos ao bar, como o escritor Ernest Hemingway. 

O balcão imponente do Floridita

Localizado na rua Obispo, uma das ruas centrais em Habana Vieja (o centro da cidade), é um local imponente, que ocupa quase um quarteirão e tem seus nomes grafados em dourados. Entrar no salão é quase como fazer uma viagem ao tempo – sensação muito comum em Cuba, por sinal. Tapetes e cortinas vermelhas, meia luz, balcão de madeira, tudo ainda se mantém bem ao estilo anos 50, em uma mescla de glamour e decadência de um lugar anacrônico.

+ Viagem + estudo: onde aprender fotografia em Cuba?

Foram quatro rodadas de daiquiri ao som de um grupo de salsa, e um desfalque na carteira, já que no Floridita cada um custa 6 CUCS (quase R$15). O tradicional de limão abriu a degustação, no entanto, é muito difícil ser fisgado por um drink assim quando se vive na terra da caipirinha. Por isso, a fruta deu lugar ao abacaxi e depois ao morango, com direito a repeteco. Com as últimas duas variações o daiquiri se tornou irresistível, com um sabor muito suave de álcool, refrescante em meio ao calor cubano.

O Floridita conta com um menu especializado em peixes e frutos do mar muito bem apresentados - os preços são mais salgado que os outros lugares da cidade, já que ele tem um forte apelo turístico. A ponto de não deixar os cubanos entrar em seu salão, uma contradição triste e revoltante em um país que se diz de iguais.

Para ver as fotos da viagem acesse www.flickr.com/camismartins.

Comer em Cuba é uma aventura: você não escapará do restaurante mais famoso de Havana

Cuba é linda, é cultural, é uma viagem no tempo. Mas quando o assunto é gastronomia, vale um alerta: é preciso estar preparado para experiências nem sempre boas para o paladar. Um dos pratos mais fáceis de se encontrar já podia ser experimentado direto no alojamento para os alunos-turistas que, como eu, ficam na EICTV. O menu zero elaborado (e no esquema bandejão) foi basicamente composto por uma mistura de arroz (feito bem seco) e já servido junto com feijão, carne de frango ou de porco e batata doce. Uma comida pesada que logo começou a causar estrago na turma.

Apelar para os bocaditos, o famoso misto-quente, era sempre uma alternativa, mas até eles acabaram cansando. A estratégia era aproveitar as saídas fotográficas para encontrar bons restaurantes e comer bem. Mas o que parecia ser uma opção fácil se mostrou uma verdadeira aventura.

Todo cuidado é pouco para se comer em Cuba: você pode terminar em uma carniceria

Uma das primeiras tentativas aconteceu em Vinhales, um povoado bem turistico próximo à Havana. Buscávamos um restaurante mais em conta e fomos parar no quintal de uma casa, que à primeira vista já me fez perder a fome. Era possível observar a cozinha do lugar de onde eu estava sentada e a cozinheira cortava os legumes, abria garrafas de suco, partia a carne, tudo com a mesma faca, a limpando em um pano imundo no intervalo de uma coisa para outra. Foi aí também que tomamos nosso primeiro e único golpe. Esquecemos de perguntar o preço das bebidas, que acabaram sendo cobradas pelo dobro do que valiam nos outros lugares da cidade. O custo? Cerca de 20 CUCs (mais de R$40) para cada um para comer mal e beber pouco.

O tiro certeiro aconteceu em Havana. Após essa primeira experiência catastrófica, não  havia como evitar conhecer o famoso restaurante Los Nardos. Localizado em frente ao Capitólio, ele é especializado na culinária espanhola e o mais concorrido da cidade, com uma generosa fila de espera. Depois de quase uma hora, estávamos lá com a promessa de uma boa refeição.

Restaurante Los Nardos: rústico e delicioso

O ambiente é superagradável: iluminado à luz de velas, tem som de piano atocado o vivo. O cardápio é dividido entre carne, frango e pescados, incluindo opções de paella. Como tínhamos um espanhol na turma que estava comigo na mesa, o teste de qualidade do Los Nardos começou na hora de escolher a entrada: um tradicional gazpacho andaluz. A sopa fria chegou a mesa com o tempero certo, agradou a todos e deu segurança para escolher os pratos principais.

A minha pedida foi o cordeiro assado marinado com vinho, acompanhado com legumes e purê de batata. A ideia era dividir entre duas pessoas, mas poderia ser compartilhado até em três. A apresentação foi impecável, com o prato servido em uma chapa de ferro quente, e a carne estava tão macia que nem era preciso de uma faca para partir. Para acompanhar, pedi uma sangria, que acabou vindo doce demais.

Além da ótima qualidade da comida e do atendimento, o restaurante tem outro ponto a favor, o preço. O cordeiro saiu por 4,90 CUCs (nem R$10), e cada pessoa gastou em média o equivalente a R$20. Sucesso!

Se comer por Cuba é difícil, beber é só alegria! No próximo post falo sobre os famosos daiquiris e quem quiser ver mais fotos da viagem pode clicar em www.flickr.com/camismartins.

Viagem + estudo: EICTV, a escola de todos os mundos em Cuba

Alunos da escola de cinema e fotografia com a mão na massa

Acho importante começar este post com uma informação: eu não falo espanhol e em momento algum isso foi um impeditivo durante a minha passagem por Cuba e, principalmente, pela EICTV, a escola de cinema mais famosa do país.

Na hora de se inscrever nos cursos que são oferecidos por lá e mandar a carta de intenção para se tornar aluno (esse trâmite é feito por meio de um representante na sua cidade, confira aqui), eles deixam bem claro a importância de dominar o idioma. No entanto, assim que cheguei, logo ouvi da coordenadora: “mais um brasileiro! Tem pelo menos um em cada curso”. Finda da tensão, chegou a hora de conhecer a utopia.

+ Uma viagem a Cuba por meio da fotografia

Gabriel García Marquez, Julio Garcia Espinosa e Fernando Birri, com todo o apoio do governo cubano, fundaram a Escola Internal de Cinema e Televisão de San Antonio de Los Baños, em 1986, com o objetivo de criar um centro de formação artística para três mundos, América Latina, África e Ásia.

Bons tempos: os fundadores da Escola com Fidel Castro

Com Birri na direção – cineasta argentino precursor do cinema novo latino-americano – a escola adotou a proposta de ensinar através de professores que tenham uma produção cultural ativa, com a capacidade de transmitir o conhecimento na prática, além de palestras com figuras importantes para o cenário cinematográfico atual. No meu caso, por exemplo, tive a oportunidade de participar da conversa com o iraniano Asghar Farhadi, diretor de “A Separação”, que falou sobre como utiliza métodos teatrais de direção de atores no cinema, e da palestra de mais de quatro horas com Walter Carvalho, decupando a fotografia, cena por cena, do filme “O Veneno da Madrugada”.

Em Havana, turistas abordam pessoas para fotografar

O carro-chefe da EICTV é o curso regular de três anos, em que jovens de 23 a 29 anos, de mais de 50 países, passam por um processo seletivo rígido de adimissão. Ao serem aceitos, esse fazem um primeiro ano básico e depois ingressam nas suas especialidades, que se dividem entre direção, direção de fotografia, produção e som. Além disso, são realizados cursos de altos estudos, que duram seis semanas, e os taillers internacionais, com três semanas de duração. Com toda essa oferta e nível de excelencia, a escola tornou-se de todos os mundos, cuja a comunidade brasileira é a maior tanto entre os alunos, quanto entre os professores.

Voltando a minha experiência, encontrando brasileiros em todos os cantos e ao redor de pessoas dispostas a trocar conhecimento, o idioma não foi mesmo um problema. Como já dito por aqui, o curso que fui fazer foi o tailler internacional de Fotografia Digital, com o professor guatemalteco Ivan Castro.

Nessas três semanas de duração tivemos aula de segunda a sexta, das 9 às 17 horas, que se dividiam entre teóricas e práticas. Por causa disso, diferente dos demais cursos da escola, tivemos a oportunidade de viajar bastante, entrar nas casas dos cubanos e conhecer um pouco do seu dia a dia. Uma coisa interessante, por exemplo, é que ao passo que as pessoas eram muito receptivas nas cidades menores, como Baracoa, em Havana cobravam 1 CUC por uma foto.

Fazer uma foto custa 1 cuc (a moeda local) se você é turista em Cuba

A minha sala era composta por três cubanos, três mexicanos, um espanhol, uma argentina, um equatoriano e um chileno. Com exceção dos cubanos, que têm desconto nos cursos, todos pagamos 1.200 euros. Esse valor engloba as aulas, hospedagem em quartos individuais, alimentação (esse é o assunto do nosso próximo post!) e uma ótima infraestrutura tanto de ensino, quanto de lazer, com piscina olímpica e quadras de esporte.   

A oportunidade de conviver 24 horas com essas pessoas faziam os momentos pós-aula também de absorção de conhecimentos – e muita festa. Em mais de uma ocasião, os estudantes se reuniam nas salas de projeção da escola para exibirem seus curtas (muitos deles, o trabalho de conclusão de curso que fizeram em seus países), e com isso a oportunidade de entrar em contato com o trabalho e entender o que pensam os jovens cineastas, entre eles Béltra Luque, da Espanha, Edison Cájas González, do Chile, Juan Guerci, da Argentina, e a brasileira Catarina Accioly. Bom, sobre as festas, é melhor nem entrar muito em detalhes…

O resumo de tudo isso é que voltei para o Brasil sabendo fotografar e muito mais interessada na produção cultural latinoamericana e hablando un poco de español. Para ver mais fotos da viagem www.flickr.com/camismartins .

Uma viagem a Cuba por meio da fotografia

Estava lá no site da Escola Internacional de Cinema e Televisão de San Antonio de Los Baños: curso de fotografía digital de 9 a 27 de abril de 2012. Como diz o ditado, essa informação juntou a fome com a vontade de comer. Meu mês de férias estava se aproximando e a vontade de fazer um curso de fotografia me levaram a um destino até então impensado, Cuba.

As texturas e cores das construções em Havana

Entre passar na seleção para o curso e desembarcar na terra que ainda é de Fidel Castro, foram cerca de dois meses e pouca burocracia. Entre elas, tirar o visto na embaixada cubana em São Paulo, que exige documentos como passaporte, passagens e endereço de hospedagem no país, além do pagamento de uma taxa de R$50, e a aquisição de um seguro saúde.

Outra providência foi sair em busca de boas dicas de quem já esteve por lá, e duas delas foram fundamentais para o sucesso da viagem. A primeira diz respeito ao câmbio cubano, que valoriza o euro. Ou seja, 1 euro equivale a 1, 28 CUC (pesos cubanos convertidos), enquanto 1 dólar resulta apenas em 0,87. Quem leva dólar perde dinheiro.

Um vendedor de bocaditos (o misto-quente cubano), em San Antonio de Los Baños

Já a segunda é sobre a maneira de se relacionar com comércio/serviço que é oferecido no país. Para não ser surpreendido na hora de pagar a conta, a orientação é negociar o preço de tudo antes de consumir, de um prato no restaurante a uma corrida de táxi.

Preparações concluidas, chegou a hora de fazer as malas e desembarcar no aeroporto José Martí, em Havana, e de lá ir direto a San Antonio de Los Baños, um povoado com cerca de 45 mil habitantes, há 40 minutos da capital e que abriga a EICTV. A instituição é considerada uma das escolas de cinema mais importantes do mundo, fundada pelo escritor colombiano Gabriel García Marquez, o cineasta argentino Fernando Birri e o teórico cubano Julio Garcia Espinosa.

A turma de Fotografia Digital da EICTV, em San Antonio de Los Baños

Foi lá que passei três surpreendentes semanas, entre encontros com diretores como Asghar Farhadi, de “A Separação”, trocas de experiências com jovens cineastas de todo o mundo, mojitos, aventuras com a gastronomia local e a possibilidade de descobrir o país por meio da fotografia.

Os cliques que ilustram essa matéria feitos em San Antonio de Los Baños, na capital Havana, em Pinar del Rio e em Baracoa. Acompanhe os próximos posts no Colheres na Estrada – tem novidade na sexta que vem, dia 1 de junho, e também vejam mais fotos no www.flickr.com/camismartins .